Projeto Agrovárzea fomenta o turismo rural em Moju

Agricultores ligados ao Projeto Agrovárzea, que é desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), visitaram as comunidades remanescentes de Quilombolas, África e Laranjituba, no município de Moju, a 68 quilômetros da Alça Viária, na terça-feira, 27. A programação faz parte de uma atividade de intercâmbio ligada ao turismo rural na região.

A visita objetivou mostrar como é feito o receptivo de turistas nas localidades, para que os agricultores coloquem em prática, em suas áreas de origem, e aprofundem os conhecimentos sobre a importância de adaptar cada local para a recepção de visitantes, sem que a estrutura do lugar perca sua essência, cultura e tradição.

A equipe foi recebida por Magno Nascimento, guia, integrante da comunidade África e criador do projeto “Filhos do Quilombo”, que resgata a cultura afrodescendente e a apresenta àqueles que desejam conhecê-la de perto. O projeto fortalece as distintas manifestações culturais das comunidades Quilombolas, com objetivo de preservá-las e/ou resgatá-las e divulgá-las quando necessário.

Numa roda de conversa, o guia contou sobre o surgimento do quilombo, suas famílias e as principais fontes de renda dos moradores das duas comunidades, que são oriundas da produção de farinha de mandioca, extração de açaí e de outros produtos naturais, tendo como renda suplementar o artesanato – como as panelas de cerâmica fabricadas desde as primeiras famílias que chegaram ao quilombo -, resistindo ao processo de escravidão no século 19.

Além de saber sobre as técnicas e etapas de produção de peças de barro, os agricultores também se beneficiaram com uma troca de conhecimentos e realizaram passeios por trilhas ecológicas, onde conheceram espécies florestais, como ervas medicinais, além do Igarapé, em Laranjituba, que deságua no Rio Moju, onde a senzala foi instalada no passado.

De acordo com Yasmin Alves, Turismóloga do Ideflor-bio, o turismo rural permite que todos tenham um contato maior com a natureza para conhecer, por exemplo, como funciona o trabalho do homem do campo. “Dos intercâmbios já realizados pelo Projeto Agrovárzea, esse foi o primeiro voltado diretamente para a linha do turismo rural, enfatizando o etnoturismo. Esta recepção de turistas é uma forma de gerar emprego e renda às famílias, ao mesmo tempo que consolida a cultura local. Esperamos que com esta visita os agricultores observem como as atividades são feitas aqui e adaptem da melhor forma em suas localidades.”, explicou.

Agrovárzea Incentivando a agricultura familiar e o turismo rural, o projeto visa promover a diversificação da produção das comunidades de populações tradicionais que estão dentro e no entorno das unidades próximas à Belém, visando construir Unidades de Referência Tecnológicas (URT) nas comunidades, priorizando as espécies nativas de interesse da população local, além de buscar resultados positivos relacionados tanto ao aspecto ambiental, quanto aos aspectos sociais, econômicos e ambientais dentro das UC’s.

✎Texto: Denise Silva / Ascom Ideflor-bio


GALERIA DE FOTOS:
   

Comentários estão desabilitados.