Pesquisadores do Piauí realizam visita de campo no Parque do Utinga

Técnicos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI) e Universidade Federal do Piauí (UFPI) estiveram na área do Parque Estadual do Utinga, nesta sexta-feira, 10, para coleta de amostras para um projeto de pesquisa relacionado a transmissão da Leishmaniose Visceral (LV) em áreas urbanas. A equipe tem apoio do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), Instituto Evandro Chagas e Museu Paraense Emílio Goeldi.

A leishmaniose é uma doença provocada por parasitas encontrado nos trópicos, sub-trópicos e Europa meridional. É causada por infecção pelos protozoários do gênero Leishmania, os quais se espalham através da picada de mosquitos flebotomíneos, também conhecidos como mosquito palha ou birigui. Há várias formas diferentes de leishmaniose, sendo que as mais comuns são a cutânea, que causa feridas na pele, e visceral, que afeta alguns órgãos internos como fígado, medula óssea e baço.

Em Belém não há casos da doença, diferente de cidades como Teresina e Aracaju, onde o problema é urbano e de saúde pública. A vinda da equipe objetiva a investigação da flora urbana dessas áreas não infectadas, com a hipótese de que a vegetação do local influencie no número de casos de LV nas cidades. O estudo possibilitará importantes ganhos na tecnologia e estratégias de controle de doenças, ao avaliar a possibilidade de intervenção paisagística para o controle desta e de outras doenças urbanas transmitidas por insetos. “É possível que, com uma simples substituição de árvores plantadas nas cidades, a LV e outras doenças possam ser controladas, sem a necessidade do uso de inseticidas ou do controle de reservatórios animais, o que levaria a intervenções públicas amigáveis, ecologicamente corretas e de baixo custo”, disse Marcelo Mesquita, pesquisador do IFPI.

O pesquisador e sua equipe montaram armadilhas luminosas dentro das trilhas do Parque do Utinga, que serão ligadas no final da tarde e abertas apenas na manhã seguinte. Os insetos são atraídos pela luz. “Se conseguirmos capturar os insetos, vamos realizar o mapeamento do DNA, além de procurar também seu DNA vegetal, para checar se ele está infectado por Leishmania, que é o parasita causador da doença. Com isso, vamos poder saber do que ele se alimenta e se a espécie possui uma preferência alimentar. Buscamos associar a vegetação urbana com o número de casos da doença”, explicou Marcelo.

Além do Parque do Utinga, a equipe, que ficará em Belém até o final da semana que vem, também realizará coleta de amostras na estrada de Maracacuera, em Icoaraci e na área do Comando do 4º Distrito Naval, da Marinha do Brasil. Serão 3 pontos localizados nos 2 extremos do município de Belém, sendo duas matas urbanas e 1 ponto central.

A doença – Até 1980 a LV era uma doença rural, passando, contudo, a ser transmitida em cidades, como Teresina e São Luís. Dispersou-se para cidades dentro e fora do Nordeste como Natal, Aracaju, Montes Claros, Santarém e Corumbá e, mais recentemente em Belo Horizonte, Campo Grande e Brasília. Enquanto mais de 90% dos casos eram originários da Região Nordeste nos anos 80, hoje mais de 50% vêm de outras regiões. A urbanização da LV tem levado a epidemias que podem matar mais que a malária e a dengue. As metodologias de controle, como inseticidas e eliminação de cães mostram-se ineficazes, e por isto é considerada reemergente e fora de controle, necessitando de alternativas para o controle.

Texto: Denise Silva / Ascom Ideflor-bio


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