Piscicultura em tanques-rede fomenta a cadeia produtiva no Mosaico do Lago de Tucuruí

O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (IDEFLOR-Bio) incentiva o desenvolvimento socioprodutivo de piscicultura em tanques-rede, no Mosaico do Lago de Tucuruí, através da pesca e da aquicultura, que servem de fomento à economia da região. Uma prova disso, é o Projeto “Piscicultura Paraíso”, uma área aquícola gerenciada por Gilberto Vaz, produtor local, que desenvolve projetos na área, gerando emprego, incentivando o consumo de pescado, a preservação ambiental e contribuindo com os objetivos das Unidades de Conservação (UC).

A piscicultura garante a melhoria da qualidade do peixe destinado ao consumo humano, devido aos cuidados com alimentação, controle das taxas de crescimento e das propriedades da água onde as espécies são criadas. A prática possibilita também, investir na criação de espécies que estão ameaçadas de extinção, contribuindo para a preservação da diversidade da fauna, gerando renda ao pequeno e médio produtor, usando um modelo de trabalho sustentável.

A “Piscicultura Paraíso” teve início em 2007, com a implantação de apenas 42 tanques-rede de fabricação do próprio produtor, sendo voltado para o cultivo de pirapitinga. Atualmente, o projeto conta com 160 tanques instalados, com uma produção anual de 200 toneladas de peixe por ano, dentre eles o piau açu, matrinxã, caranha e tambaqui. Após dez anos em atividade, o empresário ainda carrega o título de ter sido primeiro pioneiro na piscicultura em tanque-rede no Lago de Tucuruí, e hoje está entre os maiores produtores de matrinxã em tanque-rede do Brasil.

Com a produção, Gilberto Vaz abastece os municípios de Tucuruí, Breu Branco, Tailândia, Baião, Cametá, Mocajuba, além das feiras de pescado promovidas na região, garantindo peixes de qualidade à população.

Gilberto Vaz – Produtor do Projeto Piscicultura Paraíso

Segundo ele, a conservação das espécies é beneficiada quando a produção é feita dentro de uma Unidade de Conservação. “A criação de peixe em tanques-rede é uma atividade com alto apelo ecológico, pois respeita os limites do ambiente aquático, uma vez que a perda do equilíbrio deste ecossistema acarreta imediatamente reflexos negativos na produção dos mesmos. Em tanque-rede, para conservar a produção, tem que conservar o ambiente.”, contou.

Apesar de ser beneficiado com a cessão de uso de águas públicas, o produtor afirma que é necessário um arranjo institucional local, social e econômico, além do desafio de produzir em larga escala espécies de peixes pouco utilizados neste sistema de produção. “Hoje em dia, o desafio de conter a pesca predatória no Lago de Tucuruí ainda é umas das grandes missões que o IDEFLOR-Bio, junto com outros órgãos ambientais, vem combatendo veemente. Somos incentivados a seguir nosso trabalho e estar cada vez mais adaptados a este meio.”, disse.

Outro desafio a ser vencido pela atividade de piscicultura em tanque-rede no Mosaico, é o processo de licenciamento ambiental, que graças a gestão participativa e atuante da Gestão do Mosaico de Unidades de Conservação Lago de Tucuruí, desenvolvida pela Gerência da Região Administrativa do Lago de Tucuruí (GRTUC), do IDEFLOR-Bio, tem nesse pleito uma prioridade que já vem sendo trabalhada junto com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMAS).

De acordo com a gerente da GRTUC, Mariana Bogéa, a construção de uma normativa específica para o Lago já é meta dentro do Plano de Ordenamento dos Recursos Pesqueiro e Aquícola do Mosaico Lago de Tucuruí e tem suas discussões bastante avançadas no que se refere ao tema. “Entendemos que estabelecer procedimentos que incentive a produção, aliada a conservação do meio ambiente, é papel dessa gestão. Queremos ver o Lago de Tucuruí preservado, mas também produtivo.”, contou.

“Nós acompanhamos de perto o trabalho do Gilberto, que é de grande importância, pois sua atividade gera emprego e desenvolve trabalho na região. Dentre as atividades de aquicultura, do Plano de Ordenamento, está exatamente o fomento à piscicultura, onde ele se encaixa perfeitamente como exemplo de que este trabalho dá certo.”, concluiu Mariana.

Ao adquirir o pescado oriundo da piscicultura, o consumidor além de apoiar produtores rurais da região, não corre o risco de intoxicação, pois a qualidade ecológica da água é constantemente monitorada. Os peixes de piscicultura possuem exatamente os mesmos nutrientes essenciais que o peixe capturado no rio ou no mar. A aquicultura sustentável preza pela produção lucrativa, com conservação do meio ambiente e dos recursos naturais, promovendo o desenvolvimento social.

O Mosaico Lago de Tucuruí é o primeiro Mosaico de Unidades de Conservação constituído no Brasil, tendo sido criado em decorrência da mobilização dos moradores locais, em função dos impactos ambientais e socioculturais causados pela implantação da primeira grande Usina Hidrelétrica na Amazônia, a UHE Tucuruí, responsável pela produção de 10% da energia do Brasil e também o maior gerador de renda da região. O Mosaico foi criado por meio da Lei Estadual n° 6.451 de abril de 2002 e é composto por 3 Unidades de Conservação: a Área de Proteção Ambiental (APA) do Lago de Tucuruí e as Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Alcobaça e Pucuruí-Ararão.

✎Texto e Fotos: Denise Silva / Ascom Ideflor-bio


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