Ninho ativo de gavião-real é constatado na APA Araguaia

Uma expedição foi realizada na Área de Proteção Ambiental (APA) do Araguaia, mais precisamente na Região do Sucupira, com o objetivo de monitorar o retorno de um Gavião-Real (Harpia harpyja) ao ninho. A visita foi realizada pela equipe da Gerência da Região Administrativa do Araguaia (GRA), do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), no dia 31 de agosto.

A Harpia, espécie ameaçada de extinção, é considerada a maior ave de rapina do Brasil, além de ser o principal bioindicador destas Unidades de Conservação, motivo pelo qual é necessário o monitoramento na área, a fim de garantir modo de vida e reprodução adequados, visto que os ninhos da harpia atraem visitação, inclusive de turistas do exterior.

O ninho, que se encontra à 24m de altura, em um Jatobazeiro, foi avistado em 2011, pelo Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), durante um combate a incêndio florestal e estava sendo monitorado desde então. Porém, nenhuma atividade tinha sido registrada nos últimos três anos. Durante a visita técnica, constatou-se que o ninho agora encontra-se ativo, devido a observação direta da ave dentro do ninho, além do registro de ossos de presas consumidas pela harpia, penas, regurgito e fezes, encontrados no chão. Foi considerada também a existência de um filhote, devido à presença constante do adulto no ninho.

De acordo com Edla Tavares, responsável pelas pesquisas com a Harpia no PESAM e na APA Araguaia, o monitoramento dos ninhos ocupados, mas não-ativos (aqueles que não apresentam nenhum indício da presença da ave), é feito bimestralmente, devido à possibilidade de retorno da ave no local. “Até então, monitorávamos dois ninhos ativos: o Ikatu II e Gameleira, além de dois não-ativos: o Sucupira e Andorinha. Agora a quantidade de monitoramentos será mantida, visto que o filhote do ninho Gameleira – com quase dois anos de idade – alcançou independência e não foi visto mais no ninho, tornando-se agora não-ativo”, explicou.

Helena Aguiar, bióloga e pesquisadora do Projeto Harpia, explicou que os casais de harpia reutilizam a mesma árvore-ninho em subsequentes reproduções, cujo intervalo em média pode ser de três anos. “Nos próximos monitoramentos, a equipe do Ideflor-bio deverá confirmar a presença de um filhote neste ninho. Caso seja positivo, isto demonstrará a capacidade dos remanescentes florestais na APA Araguaia em manter a espécie reproduzindo nesta região tão fragmentada do Pará. Este é o segundo ciclo reprodutivo registrado neste ninho, e o quinto ninho que vem sendo monitorado na região do Araguaia”, ressaltou.

A equipe técnica visitará mensalmente o ninho Sucupira, bimestralmente o ninho Gameleira, e manterá a frequência de visitas aos outros ninhos.

✎Texto: Denise Silva / Ascom Ideflor-bio


GALERIA DE FOTOS:

Penas, ossos e regurgito encontrados no chão entorno do ninho Sucupira

Harpia dentro do ninho

Ninho totalmente reconstruído

Grande quantidade de fezes embaixo do ninho Sucupira

 

 

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