Ideflor-bio realiza seminário sobre a Terra Indígena Alto Rio Guamá

Nos dias 21 e 22 de novembro de 2017 foi realizado, na cidade de Paragominas, o Seminário Gestão Ambiental e Territorial da Terra Indígena Alto Rio Guamá: Aliança para a Conservação da Diversidade Biológica e Cultural do Nordeste Paraense. O evento foi promovido pela Gerência de Sociobiodiversidade do IDEFLOR-Bio e contou com a participação de cerca de 80 indígenas da Terra Indígena Alto Rio Guamá (TIARG), além de representantes de diversas instituições governamentais e não governamentais, como Museu Goeldi, FUNAI, IBAMA, Hydro, Universidades e Prefeituras. O objetivo principal do encontro foi formar uma aliança entre indígenas e instituições, a fim de que pactuassem estratégias e ações para apoiar a gestão ambiental e territorial desta terra indígena.

Durante os dois dias de evento, foram apresentados os resultados do Diagnóstico Etnoambiental Participativo e Etnozoneamentoda TIARG, que resultaram no livro “Gestão Ambiental e Territorial da Terra Indígena Alto Rio Guamá: Diagnóstico Etnoambiental e Etnozoneamento”, lançado oficialmente durante o Seminário. Também foi lançado o livro “NarrativasTembé sobre Biodiversidade”, que reúne histórias do imaginário e da cultura Tembé relacionadas com as plantas e os animais da floresta. As histórias são contadas em Português e na língua Tembé e têm como principal destinação os estudantes indígenas daTIARG, objetivando estimular o aprendizado e a preservação da língua materna.

Grupos de trabalho foram formados com os temas: Gestão Ambiental, Proteção Territorial e Conservação da Biodiversidade; Produção Florestal e Agrícola; e Sociedade e Cultura. Os resultados dos grupos foram apresentados pelos indígenas ao final do evento, quando foram encaminhadas propostas do que poderia ser feito e de “quem” poderia realizar tais ações em prol da gestão da TIARG. Os indígenas assinaram listas que foram encaminhadas à FUNAI, nas quais pediam medidas urgentes contra a exploração ilegal de madeira e para retirada de invasores de suas terras.

A TIARG é o último grande fragmento florestal do Nordeste paraense, uma região altamente devastada e onde ocorrem espécies animais e vegetais únicas, que não existem em nenhum outro lugar do planeta. Por isso, elas estão altamente ameaçadas. A TIARG ainda representa um refúgio para estas espécies, mas tem sofrido impactos ambientais severos em decorrência de atividades ilegais, principalmente a extração de madeira e a invasão por não índios.

Medidas urgentes se fazem necessárias para impedir o total desaparecimento dos remanescentes de floresta da TIARG e para garantir a preservação da cultura Tembé, que já tem sofrido de forma marcante os impactos das invasões e da influência da cultura não indígena. Atualmente, são poucos os falantes da língua Tembé e os rituais e tradições indígenas vêm se perdendo ao longo do tempo.

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Texto: Renata Valente

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