Oficinas promovem fortalecimento de organizações sociais indígenas no nordeste paraense

Os indígenas da Terra Indígena Alto Rio Guamá (TIARG), na região do Gurupi, nordeste paraense, receberam, entre os dias 23 e 24 de junho, a I Oficina de Fortalecimento das Organizações Sociais Indígenas. A oficina é uma realização da Gerência de Sociobiodiversidade (GSBio) do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio), em parceria com o escritório regional do Baixo Tocantins da Fundação Nacional do Índio (Funai).

A ação aconteceu na Aldeia Cajueiro e reuniu estudantes e lideranças indígenas de dez aldeias da TIARG: Cajueiro, Piahu, Ka’a Kyr, Ka’a Piterpehar, Kanindé, Sussuarana,Wahutyw, Inazatiw, Cocalzinho e Igarapé Grande. O objetivo da oficina foi oferecer conhecimentos e apoio técnico específico para a criação e o estabelecimento de organizações comunitárias indígenas, como associações.

Segundo a técnica do Ideflor-bio, Marcia Barroso, “um dos maiores gargalos das organizações sociais indígenas é a falta de assessoria técnica e jurídica para que elas estejam aptas a concorrer nos editais de fomento das atividades produtivas, culturais e sociais. Os processos esbarram na questão das documentações e certidões negativas das associações, pois muitas vezes eles não tem orientação dos trâmites necessários para o acesso a essas documentações, então a oficina busca dar a eles ferramentas para sanar essas dificuldades”.

Durante a oficina, e com o auxílio do coordenador geral do escritório regional da Funai, José Ricardo Totore – indígena do povo Gavião – e do técnico indigenista especializado, Guilherme Ramos, discutiu-se também sobre as propostas de criação do Mosaico de Áreas Protegidas do Gurupi, o qual, se criado, irá englobar o território da TIARG. Na ocasião, o técnico Guilherme Ramos reiterou a importância da designação de um membro da etnia Tembé para participar ativamente das discussões.

Diagnóstico – Ainda no contexto das ações para o fortalecimento das organizações sociais indígenas, a GSBio realizou, entre os dias nove e 12 de junho, diversas reuniões nas em aldeias da TIARG, na região do Guamá. Os encontros ocorreram nas aldeias Yarape Iwazu, Sede, São Pedro e Itaputyr, com o objetivo de fazer um diagnóstico organizacional das associações indígenas dessa região.

“As reuniões foram uma forma de avaliar as condições organizacionais das associações indígenas na TIARG da região do Guamá, a fim de que possamos, posteriormente, oferecer também a eles o módulo de oficina de fortalecimento das organizações”, acrescenta Marcia Barroso.

A metodologia dessas oficinas segue os parâmetros do programa ATER Mais Gestão, uma iniciativa do Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário (SEAD), ligada à Casa Civil do Governo Federal. O objetivo do programa é, justamente, disponibilizar ferramentas de pontas para a assessoria técnicas de empreendimentos e organizações comunitárias voltadas para áreas como a agricultura familiar.

“Todas essas atividades fazem parte do projeto Gestão e Restauração Florestal da Terra Indígena Alto Rio Guamá, cuja a primeira fase é o fortalecimento das organizações sociais indígenas para gestão de empreendimentos comunitários. Outras iniciativas desta fase são a criação de um plano de fortalecimento organizacional da TIARG e o planejamento de ciclo de assessorias técnicas que serão fornecidas pelo Ideflor-bio e parceiros”, afirma Marcia Barroso.
A equipe técnica da Gsbio aproveitou a ocasião para articular parcerias com a Prefeitura de Santa Luzia do Pará e com o escritório regional da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER) no município.
Texto: Dilermando Gadelho – Assessoria de Comunicação do Ideflor-bio

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