Instituto Butantan realiza coletas de lagartas no REVIS Metrópole da Amazônia

Uma equipe de pesquisa do Instituto Butantan, de São Paulo, visitou a área do Refúgio de Vida de Silvestre Metrópole da Amazônia, Unidade de Conservação da Região Metropolitana de Belém, gerenciada  pelo  Instituto  de Desenvolvimento Florestal e  da  Biodiversidade  (Ideflor-bio). A visita, ocorrida na primeira semana de fevereiro, teve o objetivo de realizar coletas para avaliação da atividade tóxica do extrato das cerdas da lagarta da Premolis semirufa (Pararama), mais conhecida como “lagarta de fogo”, espécie muito presente na área.

Frequentemente seringueiros da área entram em contato com as cerdas da lagarta, que vive nos troncos das árvores, causando inchaços na pele. O contato frequente com as cerdas pode levar a quadros graves de inflamação e perda do movimento das mãos, doença  que  leva o nome de “pararamose”, também conhecida  como  reumatismo  dos  seringueiros.  Atualmente, a doença é  tratada  com  anti-inflamatórios, mas ainda não há como prevenir, nem reverter as alterações articulares das mãos.

De  acordo  com  Denise  Vilarinho  Tambourgi,  do  Laboratório  de  Imunoquímica  do  Instituto  Butantan e  responsável  pela  equipe de  coleta, a área de preservação ambiental visitada é segura e de fácil acesso. “A região apresenta grande concentração de seringueiras, herança da época de intensa atividade exploratória do látex na antiga Fazenda Pirelli, que hoje abriga a Unidade de Conservação. Desta forma, é um local propício para o estudo e a obtenção da lagarta.” A Premolis semirufa  é parasita de seringueira do gênero Hevea, encontrada na região amazônica. Com o apoio do Ideflor-Bio foram realizadas pesquisas no local, com a utilização de modelos in vitro, que permite a análise das atividades enzimáticas da lagarta, sua ação sobre células da articulação, além da análise da ação letal e pró-inflamatória do extrato.

Através das coletas, os resultados obtidos permitirão um melhor entendimento dos mecanismos envolvidos no estabelecimento do quadro clínico induzido pelo contato com as cerdas da lagarta, fornecendo assim, bases para propostas terapêuticas mais eficazes para a doença.

Outros estudos ainda serão realizados para entender por completo o mecanismo de ação do extrato das cerdas no organismo humano e como ela provoca a pararamose em algumas pessoas. A sequência  do  trabalho  das  equipes  na  região pretende conhecer melhor a ação do veneno e estabelecer uma terapia para a doença.


✎Texto: Denise Silva / Ascom Ideflor-bio
Foto: Giselle Pidde Queiroz

 

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