Primeiro filhote de ararajuba nascido em vida livre em Belém

Nasceu, em abril,  o primeiro filhote de ararajuba de um processo de reprodução em vida livre no Parque Estadual do Utinga. A ave já vocaliza, alimenta-se sozinha, já é praticamente independente e voa pelos céus da cidade, às vezes sozinha, às vezes acompanhada pelos pais. Essa ararajuba é especial, pois é um passo importante na reintrodução da espécie em Belém, local em que estavam extintas já há mais de 60 anos.

Segundo os biólogos do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio) e da Fundação Lymington, responsáveis por monitorar o desenvolvimento das ararajubas no Parque, o nascimento do filhote é um dos principais indicadores da readaptação dessas aves ao território da cidade.

Atualmente, a ararajuba filhote continua no ninho, nas proximidades do viveiro de reintrodução, sob os cuidados dos pais, mas realiza voos frequentes, principalmente no final da tarde. Segundo a gerente de Biodiversidade do Ideflor-bio, Nívia Pereira, esse resultado consolida um dos marcos mais importantes em qualquer trabalho de reintrodução, pois demonstra que a população é capaz de ampliar seu número e se manter na área, compensando as eventuais perdas de indivíduos por causas naturais.

Desde o nascimento, o pequeno filhote passou por três meses de cuidado parental intenso até conseguir dar o seu primeiro voo em vida livre, no início de julho. O voo foi uma surpresa e assustou tanto a equipe de biólogos quanto os próprios pais. No início desorientada, a ararajuba passou a noite fora do ninho e ainda pousou em algumas árvores do Utinga até encontrar o caminho de volta para o seu lar nas redondezas do viveiro de aclimatação montado no Parque. Para o biólogo Marcelo Vilarta, da Fundação Lymington, o barulho das outras ararajubas no viveiro e o chamado dos pais foram alguns dos possíveis guias para o retorno do filhote.

O projeto “Reintrodução e Monitoramento das Ararajubas nas Unidades de Conservação da Região Metropolitana de Belém – Belém mais linda!”, mantido pelo Ideflor-bio e pela Fundação Lymington, já realizou a reintrodução de dois grupos de Ararajubas no Parque. A primeira reintrodução aconteceu com a chegada de um grupo de 14 indivíduos da espécie em agosto de 2017, os quais, após processo de aclimatação no viveiro, foram soltos no final de janeiro de 2018. Os pássaros voam livremente pelo Parque e algumas vezes voltam ao viveiro de aclimatação para alimentação. Os pais da pequena ararajuba fazem parte deste grupo, que reside, atualmente, no Utinga.

Um segundo grupo de ararajubas, composto por 10 animais, chegou no Parque em maio de 2018 e foi solto em meados de setembro. As aves reintroduzidas no Utinga são oriundas de um criadouro conservacionista, a Fundação Lymington, sediada em Juquitiba/São Paulo, e o período de aclimatação no Parque serve para ensiná-las a viver livremente, reconhecer frutas e alimentos silvestres e desenvolver comportamentos adequados à vida livre.

As ararajubas são aves nativas e endêmicas da região amazônica, ou seja, ocorrem exclusivamente nessa região. A espécie foi candidata a ave símbolo do Brasil por conta de sua coloração verde e amarela e, atualmente, integra as listas nacionais e estaduais de espécies ameaçadas de extinção, já sendo considerada extinta localmente na Região Metropolitana de Belém.

Texto: Dilermando Gadelha – Assessoria de Comunicação do Ideflor-bio
Arte: Fernando Cardoso
Fotos: Marcelo Vilarta

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