Programa de Capacitação reúne conselheiros das Unidades de Conservação da Grande Belém

Os conselheiros das quatro Unidades de Conservação da Grande Belém reuniram-se, nesta terça-feira, 30, para o segundo encontro do Programa de Capacitação de Conselheiros. O evento foi organizado pela Gerência da Região Administrativa de Belém (GRB) do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio) e contou com a participação de conselheiros de diversas instituições e regiões da metrópole paraense, como o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPGE), as universidades federais do Pará e Rural da Amazônia, as secretarias municipais de Meio Ambiente de Santa Izabel e Marituba, a Associação de Moradores da Comunidade Quilombola do Abacatal, entre outros.

O Programa de Capacitação teve por objetivo nivelar informações entre os conselheiros sobre o processo de gestão das quatro UCs: o Parque Estadual do Utinga, as Áreas de Proteção Ambiental Ilha do Combu e Belém e o Refúgio de Vida Silvestre Metrópole da Amazônia. Juntas, essas unidades se estendem pelos municípios de Belém, Marituba, Benevides, Ananindeua e Santa Izabel, totalizando uma área de mais de 30 mil hectares.

Nesta tarde, o evento contou com exposições do engenheiro sanitarista David Franco Lopes e do biólogo Leandro Valle Ferreira. David, que é membro da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, tratou da qualidade ambiental dos rios e igarapés da Grande Belém.

Segundo o engenheiro, só Belém possui mais de 80km de canais urbanos, além de um uso diário de água que se aproxima dos 250 litros por habitante e o uso racional desse recurso é essencial para atividades como a agricultura familiar. “Aqui na Amazônia nós somos cercados e infiltrados por água, então nós precisamos saber utilizar esses recursos de forma inteligente e responsável”, conta o engenheiro.

Já o biólogo do Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Leandro Ferreira, discutiu a importância e o status atual das unidades de conservação metropolitanas para a biodiversidade local. Leandro é um dos responsáveis pelos recentes trabalhos de mapeamento das espécies florísticas do Parque Estadual do Utinga e do Revis Metrópole da Amazônia, realizado em parceria entre o Ideflor-bio e o MPEG, o qual identificou diversas espécies de árvores, cipós e arbustos existentes nessas UCs, alguns, inclusive, ameaçados de extinção.

Às apresentações, seguiu-se um momento de trocas, em que os conselheiros puderam discutir, tirar dúvidas e trocar experiências sobre modelos e estratégias de gestão ambiental e de Unidades de Conservação no Pará.

O primeiro encontro do Programa de Capacitação de Conselheiros ocorreu na terça-feira passada, 23, e contou com a participação do promotor Raimundo Moraes, do Ministério Público Estadual, o qual discutiu com os conselheiros as inter-relações entre os planos de gestão de UCs e o Plano Diretor da cidade de Belém.

O plano prevê, em seus mecanismos legais, diversas estratégias de criação e preservação de áreas verdes de relevância, como a criação de Áreas de Preservação Permanentes e Corredores de Integração Ecológica. Os Corredores são espaços voltados, entre outras coisas, ao uso sustentável, à preservação da biodiversidade e dos recursos naturais e à melhoria da qualidade ambiental da capital paraense.

Para Julio Meyer, gerente das UCs e servidor do Ideflor-bio, o evento é uma forma de integrar os conselheiros e criar estratégias conjuntas de gestão ambiental. “Com o Programa, queremos propiciar o empoderamento dos conselheiros e dos conselhos, para que, em parceria com o poder público estadual, possa-se desenvolver efetivamente e de modo participativo as políticas públicas de gestão das unidades de conservação”, conta.

Texto: Dilermando Gadelha
Fotos: Fernando Cardoso
Assessoria de Comunicação do Ideflor-bio

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