Abelhas sem ferrão são tema de palestra no Ideflor-bio

“Quando ouvimos falar sobre abelhas, logo pensamos naquelas que tem ferrão e que podem nos picar a qualquer momento. Dificilmente nos vem à mente as abelhas sem ferrão, mas elas são um grande agente ambiental na nossa região”, conta a pesquisadora Kamila Leão, que esteve no Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio) nesta sexta-feira, para falar sobre a importância das abelhas sem ferrão para a manutenção da biodiversidade.

Ainda segundo Kamila, o Brasil possui 244 espécies de abelhas sem ferrão, das quais 119 estão na região amazônica e no Pará. Essas abelhas são boas produtoras de mel e ainda podem ajudar na polinização de algumas culturas regionais como o açaí.

“Algumas abelhas sem ferrão, como as da espécie canudo, são boas polinizadoras do açaí, pois são pequenas e tem um tamanho adequado para a flor do açazeiro, além disso, segundo estudos, as canudos pousam tanto nas flores macho quanto nas fêmeas, o que possibilita a reprodução delas”, explica a pesquisadora.

As abelhas sem ferrão são típicas da parte neotropical do planeta e, aqui na região amazônica, foram cultivadas primeiramente pelas sociedades indígenas. Por isso elas são conhecidas como abelhas nativas ou abelhas indígenas. “O sistema de criação delas começou com essas populações tradicionais, que criaram algumas técnicas de cultivo que foram aprimoradas com o tempo e as pesquisas e hoje são conhecidas como meliponicultura”, acrescenta Kamila Leão.

As sociedades indígenas são, também, o foco do trabalho da Gerência de Sociobiodiversidade (Gsbio) do Ideflor-bio, instância organizadora da palestra. A Gsbio busca desenvolver em conjunto com as sociedades indígenas, práticas sustentáveis de preservação dos conhecimentos tradicionais e da relação entre homem e natureza na Amazônia, com foco para o desenvolvimento socioeconômico e das cadeias produtivas.

O cultivo de abelhas sem ferrão é uma das alternativas que pode trazer desenvolvimento tanto ambiental quanto econômico para essas comunidades. “Acreditamos que essas abelhas trazem benefício direto às florestas, por meio da conservação e cultivo de um dos polinizadores que garantem a sustentabilidade dos sistemas agroflorestais (SAF’s). Esse serviço ecossistêmico é importante para a economia e segurança alimentar das sociedades indígenas, principalmente quando feita de forma a não exercer pressão sobre essas florestas”, afirma Rosigrêde Silva, engenheira agrônoma e técnica do Ideflor-bio.

Formação – Kamila Leão é mestre em Ciência Animal pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e doutoranda em Ecologia, com pesquisas sobre as abelhas sem ferrão desenvolvidas tanto na UFPA quanto na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Amazônia Oriental.

A palestra foi, também, uma forma de aproximar Ideflor-bio e Embrapa a fim de desenvolver estratégias para a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento das sociedades indígenas, relata Claudia Kahwage, gerente de Sociobiodiversidade do Instituto: “Para nós seria um ganho muito grande aproximar a Embrapa dos nossos projetos e desenvolver, de forma cada vez mais articualada, estratégias que auxiliem essas populações e o seu modo de vida dom a natureza”.

Participaram do encontro membros da equipe técnica do Ideflor-bio, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater) e pesquisadores e estudantes de instituições como a Universidade Federal do Pará em Abaetetuba e da Universidade da Amazônia.

Durante a palestra, os participantes puderam conhecer de perto algumas das principais espécies de abelhas sem ferrão do Pará: as abelhas mosquito, moça-branca, uruçu-amarela e uruçu-preta.

Texto: Dilermando Gadelha
Fotos: Fernando Cardoso

Assessoria de Comunicação do Ideflor-bio

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