Ideflor-bio e comunidades indígenas do Nordeste Paraense discutem plano de restauração florestal

As comunidades indígenas da Terra Indígena Alto Rio Guamá (Tiarg), localizada na região de Paragominas, Nordeste paraense, receberam, entre 18 e 25 de outubro, uma série de oficinas para a elaboração do Plano Preliminar de Restaruação Florestal da Tiarg. As oficinas foram realizadas pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio), em parceria com a Universidade do Estado do Pará (UEPA) e a Fundação Nacional do Índio (Funai), e aconteceram nas aldeias Tekohaw, Cajueiro e Canindé, às margens do rio Gurupí.

Durante as oficinas, os indígenas da região conheceram os principais problemas ambientais causados pela retirada ilegal de madeira e também os benefícios da utilização racional da terra e do reflorestamento tanto para o ambiente quando para a qualidade de vida. A ênfase foi aos sistemas agroflorestais, ou florestas produtivas, que são espécies de miniflorestas plantadas com gêneros nativos, as quais favorecem tanto a recuperação de áreas degradadas quanto a diversificação da produção e da oferta de produtos naturais, já que esses gêneros nativos, como o açaí e o cupuaçu, podem ser comercializados.

Na parte mais prática das oficinas, os indígenas, juntamente com os facilitadores do Ideflor-bio e da UEPA, delimitaram áreas prioritárias para recomposição, como as áreas de preservação permanentes e nascentes de rios. Também demarcaram áreas para a instalação de viveiros de mudas, além da identificação das espécies florestais existentes no território e da seleção de espécies que desejam plantar em suas florestas.

“Também distribuímos 1.500 mudas de banana Pacoa, uma espécie produzida pela EMBRAPA resistente a pragas. O objetivo é já incentivar as famílias indígenas a se organizarem para o plantio”, conta Paula Vanessa Silva, engenheira florestal e técnica da Gerência de Sociobiodiversidade (Gsbio) do Ideflor-bio.

O trabalho do Ideflor-bio junto às comunidades da Terra Indígena Alto Rio Guamá já se desenvolve há alguns anos, principalmente por conta da importância do território para a preservação da biodiversidade da Amazônia e também para a manutenção dos conhecimentos indígenas sobre o uso da terra.

“A Terra Indígena Alto Rio Guamá aloja a última grande área de floresta primária existente em todo o nordeste paraense. Esta área é refúgio de muitas espécies de flora e da fauna ameaçadas de extinção no Estado. Apesar de ser uma área prioritária para conservação da biodiversidade, ela tem sofrido intenso desmatamento por atividades como a extração ilegal de madeira que já consumiu pelo menos 50% da cobertura original de floresta da Terra Indígena”, acrescenta Paula Vanessa Silva.

Claudia Kahwage, gerente de Sociobiodiversidade do Ideflor-bio, conta que as oficinas trazem suporte técnico aos indígenas para que possam realizar ações de restauração florestal nesse território. “A ideia é recuperar o habitat para várias espécies e também melhorar a soberania alimentar dos indígenas. É também um horizonte promissor de geração de renda, por meio da venda sementes e mudas provenientes desta floresta ancestral”, assevera.

Associativismo – A equipe do Ideflor-bio também deu suporte técnico à assembleia de criação da Associação das Mulheres Indígenas do Gurupí (AMIG). Na assembleia foram discutidos os principais problemas das aldeias a partir do ponto de vista das mulheres, o que deu base para a elaboração do estatuto da Associação e para a eleição da sua primeira diretoria executiva. Essa é a primeira associação de mulheres indígenas da região.

Outras atividades realizadas pela equipe do Ideflor-bio durante a estada em Paragominas foram as reuniões com o Secretário de Meio Ambiente do município e com o gerente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Paragominas. “Buscamos o apoio de outras entidades para contribuir com a proteção territorial e restauração florestal da Terra Indígena”, acrescenta Paula Vanessa Silva.

Uma segunda etapa da elaboração do Plano de Restauração Florestal da Tiarg acontecerá nos próximos meses, na aldeia que compõem a parte Norte da Terra Indígena, às margens do Rio Guamá.

Texto: Dilermando Gadelha – Assessoria de Comunicação do Ideflor-bio

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