Nota do Ideflor-bio sobre matéria veiculada no Jornal Nacional de 04/12

Em matéria veiculada no Jornal Nacional – Rede Globo de Televisão – desta terça-feira, 04/12, repercute-se um estudo ainda inédito do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o qual aponta dados sobre o desmatamento de Unidades de Conservação no Norte do Brasil. A matéria, de 2m56s, discute a pesquisa do Imazon e aponta os estados do Pará e Rondônia como os que possuem maior área de UCs desmatadas. Ao final da matéria, a âncora do Jornal afirma que o Governo do Pará não quis se manifestar por não conhecer o estudo.

O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-bio), responsável pela gestão das UCs estaduais no Pará, informa que foi procurado pela produção do Jornal Nacional por e-mail e que, prontamente, respondeu à demanda elencando diversas ações realizadas pelo Instituto e pelo Governo do Estado a fim de enfrentar as pressões que essas Áreas Protegidas sofrem.

A fim de esclarecer e informar a sociedade sobre essas ações, reproduzimos abaixo a resposta enviada à Rede Globo:

“1) O Ideflor-bio não foi comunicado oficialmente dos dados apresentados pela matéria. Aliás, o último estudo oficialmente socializado pelo IMAZON é o intitulado “Desmatamento em Áreas Protegidas”, datado de junho/2018. Este estudo distingue fundamentalmente “ameaça” e “pressão”. Nele, não há quatro, e sim duas UCs Estaduais em evidência no ranking: APA Lago de Tucuruí e APA Triunfo do Xingu;

2) Ainda no mesmo estudo, é apontado que das 10 UCs no ranking, apenas a UC “APA Lago de Tucuruí” figura entre as mais pressionadas. Para tal, o Ideflor-bio, a SEMAS e a Polícia Militar do Pará (Batalhão de Policiamento Ambiental e efetivos policiais locais) tem, desde 2016, reforçado as operações de fiscalização ambiental tanto na APA, quanto nas duas Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDS) dentro dela, Alcobaça e Pucuruí-Ararão;

3) No que diz respeito à variável “pressão”, o Estado avançou na tecnologia para a detecção dos delitos e na presença de quadro efetivo nas UCs. Todavia, por se tratar de UCs da categoria APA, criadas juridicamente para dar conta de grandes extensões territoriais, é necessário o maior enfrentamento da questão ambiental por parte do Poder Público Municipal e das áreas privadas, cooperações que em parte tem surtido bons efeitos, mas aquém do esperado;

4) UCs na categoria “APA” não são exclusivamente de domínio público, ao contrário, são formadas por um misto entre Áreas Públicas e Privadas. Nesse sentido, o Ideflor-bio e a SEMAS têm reforçado as ações de estímulo à produção em bases sustentáveis, de aumento da produtividade em áreas privadas já abertas e também à educação ambiental;

5) No último ano, na APA Lago de Tucuruí, vem sendo intensificadas as operações à pesca predatória, ilegal e em quantidades industriais, visto que a área do reservatório nos sete municípios por onde se estende a UC é uma das áreas de maior riqueza de peixes em toda a Amazônia e cuja população em geral depende deste recurso para sua sobrevivência;

6) A APA Triunfo do Xingu tem historicamente apresentado altas taxas de desmatamento (o chamado “fluxo”), mas ainda apresenta altas quantidades de floresta em pé (“estoque”). Com base nessa premissa, dados da Organização Não-Governamental ISA apontaram, em 2017, que o Estado alcançou redução de aproximadamente 50% no ano passado, quando comparado ao mesmo período em 2016. Importante mencionar que este é um dado gerado por uma ONG, cuja imparcialidade reforça que o Estado vem enfrentando o problema do desmatamento ilegal na região.

7) Nos últimos 3 anos, o Ideflor-bio também tem avançado na implementação destas Áreas Protegidas, estabelecendo ferramentas importantes de gestão como os Planos de Gestão das UCs, a criação/renovação de seus Conselhos Gestores, aumentando suporte de Infraestrutura e equipamentos, estimulando o Turismo de base comunitária e ainda avançando nas Concessões Florestais para regime de manejo, regradas por Lei Federal.”

Comentários estão desabilitados.