Encontro para Restauração Florestal em Terras Indígenas no Estado do Pará

O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio), por meio da Diretoria de Gestão da Biodiversidade/Gerência de Sociobiodiversidade, realizou nos dias 24 e 25 de maio o “Encontro para Restauração Florestal em Terras Indígenas do Pará – etapa Paragominas”, no campus da Universidade do Estado do Pará (Uepa), no município de Paragominas, sudeste paraense. O evento teve parceria com a Uepa, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e entidades que compõem o Mosaico de Áreas Protegidas do Gurupi.

Encontro em Paragominas. Créditos: Divulgação/GSBIO

O Encontro faz parte das ações do projeto “Restauração Florestal na Terra Indígena alto Rio Guamá”, que está sendo desenvolvido pelo Ideflor-Bio em parceria com a Uepa. Na ocasião foi promovido um intercâmbio entre caciques, lideranças e estudantes indígenas do curso de Licenciatura Interculturais Indígena, da etnia Tembé, da Terra Indígena alto Rio Guamá (TIARG), do Estado do Pará, com indígenas das etnias Guajajara, Awa-Guajá, Ka’apor, Gavião e Krikati, pertences as Terras Indígenas Alto Turiaçu, Awa, Caru, Rio Pindaré, Arariboia, Krikati, além da terra indígena Governador do Estado do Maranhão.

“O evento teve como objetivo difundir, por meio de ações práticas, noções de técnicas e tecnologias que são importantes para promover a restauração florestal nos territórios indígenas e também propiciar intercâmbio de informações entre indígenas do Pará e do Maranhão como forma de fortalecer o mosaico de áreas protegidas do Gurupi”, assinala Claudia Kahwage, gerente de Sociobiodiversidade.

TIARG

Com exceção da Terra Indígena Governador, as demais compõem o Mosaico do Gurupí, um amplo território formado por áreas protegidas (unidade de conservação e terras indígenas) localizadas no Centro de Endemismo Belém – AEB. Claudia Kahwage ressalta que, de acordo com alguns estudos, trata-se da região mais desmatada do Bioma Amazônico no Brasil e onde existe uma grande riqueza biológica e espécies endêmicas. “Na Tiarg, no Pará, os recursos naturais sofrem grandes pressões pela entrada de invasores para retirada ilegal de madeira, o que consequentemente ameaça a reprodução social do povo indígena que reside neste território”, pontua a gerente.

Encontro em Paragominas. Créditos: Divulgação/GSBIO

Como parte da programação foi realizada uma roda de conversa sobre experiências em restauração florestal, onde indígenas do Estado do Maranhão puderam compartilhar com os indígenas do Pará ações que já estão sendo realizadas em prol da restauração florestal em seus territórios, além de debater sobre os seus desafios e perspectivas. O evento contou ainda com atividades práticas como as oficinas de “Beneficiamento de Sementes e Produção de Mudas”, “Iniciação a Prática de Escalada em Árvores para Coleta de Sementes”, “Compostagem orgânica utilizando minhocas (vermicompostagem)” e “Organização Produtiva para produtos florestais”, onde se discutiu as formas de organização social no passado, na atualidade e o que almejam para o futuro.

Palestrante Claudia Kahwage, gerente de Sociobiodiversidade. Créditos: Divulgação/GSBIO

Participantes – O evento reuniu cerca de 140 participantes entre indígenas, indigenistas, representantes de instituição e estudantes universitários da cidade de Paragominas, representantes da Fundação Nacional do índio (FUNAI-MA), Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), Universidade Federal do Pará (UFPA), Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Instituto Sociedade População e Natureza (ISPN), Centro de Trabalho Indigenista (CTI) e Conselho do Mosaico do Gurupí.

Sobre o Projeto de Restauração Florestal na Terra Indígena alto Rio Guamá

Desde 2017, o Ideflor-Bio desenvolve o projeto Restauração Florestal na Terra Indígena Alto Rio Guamá (TIARG), que tem como objetivo realizar ações que propiciem a restauração florestal e identifique potenciais de produção florestal não madeireira da TIARG. Está localizada no nordeste do Estado do Pará, nos municípios de Santa Luzia do Pará, Nova Esperança do Piriá e Paragominas. Uma das etapas do projeto envolve a formação de multiplicadores indígenas para a temática da restauração florestal.

 

Texto: Paula Vanessa e Claudia Kahwage/Pryscila Soares – Assessoria de Comunicação do Ideflor-Bio

Fotos: Divulgação/GSBIO

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