Ecoturismo é alternativa de renda na Comunidade do Santo Amaro

Navegando pelas águas do Rio Guamá, exatos trinta quilômetros de distância separam a capital paraense da comunidade ribeirinha do Santo Amaro, onde vivem 12 famílias, no município de Benevides, Região Metropolitana de Belém. A natureza reserva aos visitantes um cenário exuberante, formado pelos encantos da fauna e flora da região. É possível conhecer essa rica biodiversidade amazônica fazendo um passeio turístico pela comunidade.

A comunidade está localizada a oito quilômetros da Alça Viária, às margens do igarapé Taiassuí, afluente do Rio Guamá, em Benevides. A área faz parte do território do Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Metrópole da Amazônia, uma das 26 Unidades de Conservação (UC) estaduais geridas pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), que garante apoio técnico para implantar o Projeto AgroVárzea e promover o ecoturismo em comunidades.

Espécies nativas da região.

Ecoturismo – Há um ano, o casal de agricultores Rosinaldo Furtado da Silva e Eliana Reis da Cruz abraçou a ideia de desenvolver o roteiro turístico na comunidade, abrindo as portas de sua residência, onde vivem juntos há quase 20 anos, para receber os visitantes. Chegando cedo, é possível desfrutar de um café da manhã especial. Quase todos os alimentos são preparados a partir de ingredientes cultivados na terra: o bolo de milho, o de chocolate da plantação de cacau e o de açaí. Além dos sucos de frutas como goiaba, cupuaçu, cacau e o chocolate quente. Já o cardápio do almoço é tipicamente paraense, inclui galinha caipira, peixe frito, sucos e o açaí colhido e batido pelo casal.

“Foi feito na comunidade um levantamento do potencial para que assim pudéssemos criar um produto turístico compatível com os objetivos da unidade de conservação. O casal foi orientado e qualificado, o que resultou na formatação de um roteiro”, esclareceu Letícia Freitas, turismóloga do Ideflor-bio. “Hoje, o nosso intuito é de que outros moradores da comunidade tenham interesse de entrar no AgroVárzea, para que num futuro próximo tenhamos um roteiro que abrace toda a comunidade”, reforçou.

Ainda pouco explorada pelos turistas, a comunidade abriga um pedaço da floresta preservada. Os aventureiros têm a opção de fazer a Trilha da Paxiúba, de quase um quilômetro de extensão – considerada nível intermediário, onde foram catalogadas cerca de 60 espécies da flora, dentre elas, 36 possuem um maior valor comercial. A Paxiúba (Socratea exorrhiza) é a espécie que dá nome à trilha, a famosa árvore que “anda”. “Ela procura o sol e a água. A cada ano ela muda de posição”, explicou Rosinaldo, que tem um vasto conhecimento sobre a dinâmica da natureza local.

Rosinaldo mostrando os encantos da Trilha da Paxiúba.

Floresta em pé – Na trilha, existe também a espécie Apuí (Ficus numphaeifolia L.), um tipo de cipó que, para sobreviver, curiosamente “abraça” e mata uma árvore, ocupando o lugar do vegetal onde cresceu. Do outro lado do igarapé Taiassuí, a floresta guarda ainda uma bela surpresa aos visitantes, uma frondosa Samaumeira (Ceiba pentandra). O exemplar da espécie possui uma sapopema (raízes que formam divisões tabulares em torno da base do tronco) com mais de 20 metros de comprimento.

A suntuosa Samaumeira do Santo Amaro.

“As unidades de conservação existem para serem a grande salvação do planeta. Se uma área como essa comunidade não fosse preservada, não teríamos mais o rio, os animais e a floresta em si”, pontuou a diretora de Gestão de Unidades de Conservação (DGMUC) do Ideflor-bio, Socorro Almeida. O banho no igarapé é outra opção de lazer na comunidade. além disso, a área também é propicia para a observação de aves.

Socorro Almeida, diretora de Unidades de Conservação do Ideflor-bio.

Projeto AgroVárzea – Assim como nas demais comunidades localizadas em três Unidades de Conservação administradas pela Gerência da Região Administrativa de Belém (GRB), o AgroVárzea promove desde 2016 a assistência técnica, capacitações e suporte aos comunitários dessas áreas. O objetivo é fornecer conhecimentos e novas oportunidades de desenvolvimento social e econômico, sobretudo, pensando na cadeia de produção aliada ao turismo. Há cerca de três anos, o casal Eliane e Rosinaldo foi incluído no projeto e hoje, literalmente, colhem os frutos dessa positiva iniciativa.

Alternativa de renda – Presidente do Ideflor-bio, Karla Bengtson ressaltou que o Instituto aposta no desenvolvimento do ecoturismo e no incentivo à produção da agricultura familiar com o objetivo de manter a floresta em pé, promovendo a geração de emprego, renda e a valorização dessas comunidades “A gente faz esse acompanhamento garantindo o apoio técnico. E, mais que isso, eles aprendem a agregar valor à produção. Do cacau vem o chocolate, das frutas os doces, as compotas. Há ainda as biojoias e o artesanato. Tudo isso demonstra o potencial que aquela comunidade pode desenvolver”, ponderou a gestora.

Presidente do Ideflor-bio, Karla Bengtson.

Utilizando técnicas de plantio em Sistema Agroflorestal (SAF), o casal cultiva espécies frutíferas como o açaí, o cacau, o cupuaçu e a banana. “É uma outra forma que aprendemos de preservar a natureza. Trabalhar com turismo comunitário nos deu um outro olhar. Fiz curso de manipulação de alimentos no Ideflor-bio”, explicou Eliana, que hoje produz brigadeiro, nibs de cacau e o chocolate em pó para comercializar. “Melhorou bastante a nossa produção. Estamos aprendendo cada vez mais. A gente comercializa o açaí para os feirantes de Benevides e, na entressafra, o turismo comunitário nos dá uma renda extra”, comemora Rosinaldo.

Serviço

Comunidade do Santo Amaro

Localização: Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Metrópole da Amazônia, em Benevides-PA. Distância de Belém: 30 km

Como chegar: Saindo de Belém, pelo rio Guamá, a viagem tem duração de cerca de uma hora até a entrada do igarapé Taiassuí – a oito quilômetros passando a Alça Viária. Há também a possibilidade de acessar à comunidade seguindo pela Alça Viária, antes da primeira ponte, seguindo da comunidade Ponta Negra até o igarapé Taiassuí. Ou pela comunidade do Maravilha, no município de Benevides, também acessando o igarapé.

Visita – A comunidade do Santo Amaro pode ser visitada mediante agendamento prévio com os comunitários ou com operadores do roteiro turístico habilitados pelo Ideflor-bio.

Texto: Pryscila Soares – Assessoria de Comunicação do Ideflor-bio

Fotos: Pedro Guerreiro/Agência Pará

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