Ideflor-bio realiza curso de manejo de abelhas da Amazônia

O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-bio), por meio da Gerência Administrativa da Região do Araguaia (GRA) vinculada à Diretoria de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação (DGMUC), realizou o 1º módulo do curso Biologia e Manejo de Abelhas Nativas da Amazônia. A ação representa mais uma etapa do Projeto “Abelhas Nativas: Importância para a Conservação da Biodiversidade e Agricultura Familiar”.

A iniciativa prevê a instalação de um meliponário piloto e capacitação no desenvolvimento da atividade de meliponicultura dos comunitários na Área de Proteção Ambiental Araguaia (APA Araguaia), situada no município de São Geraldo do Araguaia, no sudeste paraense.

A meliponicultura consiste na criação racional de abelhas nativas (sem ferrão) através de técnicas e ferramentas adequadas ao manejo destas abelhas. “Com este projeto, o Ideflor-bio pretende levar para a comunidade local mais uma alternativa de geração de renda, que tem ainda como aliada a manutenção da conservação da biodiversidade local”, ponderou a presidente do Instituto, Karla Bengtson.

A atividade proporcionou aos produtores o conhecimento teórico e prático necessário para a criação desses incríveis insetos que, além de essenciais para os ecossistemas, fornecem produtos de alto valor alimentício e terapêutico, muito apreciados comercialmente. Dessa forma, ao conhecer as particularidades das abelhas nativas e as técnicas e ferramentas aplicadas na sua criação, o produtor garantirá o desenvolvimento da atividade de forma mais eficiente.

Segundo a bióloga Soraya Alves, instrutora do curso e técnica do Ideflor-bio, a meliponicultura é uma atividade 100% agroecológica, que atende perfeitamente os preceitos de uso sustentável dos recursos naturais, já que não há geração de resíduos e poluentes, não se utiliza aditivos químicos, conservantes ou substâncias químicas de qualquer natureza. Além de não necessitar da remoção da cobertura vegetal para sua implantação, sendo uma atividade comprovadamente não predatória. “Ao contrário disso, a meliponicultura exige maior oferta possível de espécies da flora, pois é das flores que as abelhas retiram a matéria prima para fabricação de seus produtos (mel, própolis, pólen, etc). Isso sensibiliza a comunidade local a conservar a floresta e vai mais além, incentiva-os a plantar novos indivíduos da flora”, ressaltou.

A técnica diz ainda que as abelhas são responsáveis por um dos serviços ecossistêmicos mais importante da natureza: a polinização. Dentre todos os outros polinizadores, as abelhas ganham destaque, sendo responsáveis por realizar a polinização de cerca de 90% das árvores das florestas, tornando-se fundamentais para a conservação da biodiversidade, conforme pontuou Soraya.

“Dados disponibilizados pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) indicam que as abelhas seriam responsáveis pela polinização de cerca de 73% das plantas cultivadas, as quais são utilizadas de forma direta ou indireta na alimentação humana, demonstrando com isto a grande importância das abelhas também para a agricultura”, complementou a técnica.

Benefícios – Para o gerente da Região Administrativa do Araguaia, Douglas Costa, o curso irá contribuir com a valorização da comunidade no que tange a geração de renda com baixo custo de implantação e também auxiliará para o equilíbrio do desenvolvimento florestal ao potencializar a polinização das árvores frutíferas e madeireiras da região, caracterizando deste modo, uma atividade apta para ser desenvolvida por comunidades tradicionais dentro da Unidade de Conservação (UC).

“É uma importante iniciativa no âmbito da ‘economia verde’, inibindo a necessidade de adoção de outras práticas econômicas com potencial degradante para o meio ambiente da região. É uma oportunidade em que a comunidade recebe os benefícios, através do Ideflor-bio, as quais o projeto e o curso irão proporcionar, o que representa um avanço na gestão de da UC e uma inovação para a comunidade da APA Araguaia”, declarou Douglas.

Realizado em 25 de novembro passado, o curso contou com momento teórico e prático, com apresentação da maquete do meliponário, dos produtos fabricados pelas abelhas e degustação de variados tipos de méis pelos participantes.

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