Seminário apresenta o trabalho científico realizado em Unidades de Conservação

O conhecimento da biodiversidade é fundamental para traçar estratégias de conservação do bioma amazônico. É com esse objetivo que o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio) incentiva a realização de pesquisas nas Unidades de Conservação estaduais. O trabalho científico desenvolvido nessas áreas foi apresentado nos dias 20 e 21 deste mês durante o I Seminário de Pesquisas nas Unidades de Conservação da Região Metropolitana de Belém.

Reunindo representantes de instituições parceiras, pesquisadores, acadêmicos e servidores do Ideflor-bio, o evento foi promovido pela Gerência da Região Administrativa de Belém (GRB) no auditório do Instituto, em Belém. Ao longo do seminário, o público espectador teve a oportunidade de conhecer as diversas potencialidades e possibilidades da aplicação de pesquisas nas UCs. E conheceram o passo a passo dos procedimentos necessários para quem deseja desenvolver o trabalho nessas áreas.

Na abertura, a técnica em gestão ambiental do Ideflor-bio e engenheira agrônoma, Laura Dias, apresentou uma palestra detalhando sobre todos os procedimentos legais que visam a autorização da pesquisa nas UCs. “Com esse seminário, esperamos mostrar para a sociedade a importância do material que temos dentro das nossas florestas, de fauna, flora e comunidades, e de como mantê-las através do incentivo e da sistematização de pesquisas para a manutenção e preservação da floresta”, ponderou Laura, que coordena a autorização dos projetos de pesquisas encaminhados ao órgão.

A GRB é responsável pela gestão das quatro UCs da RMB, sendo o Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna, a Área de Proteção Ambiental – APA Belém, Área de Proteção Ambiental – APA Ilha do Combu e o Refúgio de Vida Silvestre (Revis) Metrópole da Amazônia. “Essa iniciativa mostra que queremos avançar. Nós temos aqui alguns conselheiros, do Parque e da APA, e uma de nossas metas é que possamos dinamizar, oportunizar e criar um ambiente propício à pesquisa”, garantiu o titular da GRB, Ivan Santos.

Inventário – Ainda no primeiro dia de evento foram apresentados os trabalhos voltados para o levantamento do inventário da flora do Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna. Trata-se de uma parceria firmada entre o Ideflor-bio e a Coordenação de Botânica do Museu Paraense Emílio Goeldi, tendo como coordenador o doutor em biologia Leandro Ferreira. Até o presente momento já foram catalogadas (coletadas e fotografadas) mais de 400 espécies de plantas em diversas formas de vida, tais como árvores, arbustos, cipós, palmeiras e plantas aquáticas no Parque.

“Temos até o momento, 461 espécies, em 95 famílias botânicas nos principais tipos de vegetações (floresta de terra firme, vegetações secundárias, lagos, florestas inundadas e campinaranas) em diferentes formas de vida (arbóreas, arbustivas, cipós, palmeiras, herbáceas e epífitas). Contudo, a flora do Parque ainda está subestimada, pois grupos importantes como pteridófitas, briófitas e fungos, só agora começarão a ser identificados”, explicou o pesquisador, que apresentou a palestra “Parque do Utinga: uma ilha de biodiversidade na cidade de Belém”.

O pesquisador atua com visitas diárias para fazer o registro das espécies de plantas que ocorrem nos principais tipos de vegetações existentes no Parque, a exemplo das campinaranas, florestas não inundadas (florestas de terra firme) e florestas inundadas (conhecidas como igapós ou várzeas) e habitats aquáticos (lagos). “Isto torna o Parque do Utinga uma das áreas mais ricas em espécies de plantas da região da Amazônia Meridional e desfaz a crença de que o Parque é composto com uma vegetação sem potencial para a conservação da biodiversidade”, ressaltou Leandro Ferreira.

Fauna – No segundo dia foram apresentadas pesquisas voltadas ao inventário faunístico do Parque do Utinga. Entre os pesquisadores estava o especialista em Gestão Ambiental, Augusto Jarthe, que desde 2012 realiza a catalogação de espécies de répteis e anfíbios do Lago Bolonha e na área florestal. Já houve descobertas de espécies que ainda não haviam sido registradas na RMB, como a rã-paradoxal, um anfíbio encontrado durante ações de limpeza das macrófitas aquáticas no Lago Bolonha. “De junho de 2014 a fevereiro de 2015, coletamos espécies de repteis e anfíbios dentro do Parque. Em 2019 iniciamos uma continuação da pesquisa, pois as populações faunísticas são muito dinâmicas, então é preciso que continue sendo acompanhado ao longo do tempo”, frisou Jarthe.

A bióloga Jhose Brito, 37, elogiou a iniciativa e pretende desenvolver pesquisas nas UCs futuramente. “Na época da graduação, fiz um trabalho sobre igarapés na Região Metropolitana de Belém e hoje estou fazendo uma pós-graduação na área de educação ambiental. O seminário foi uma oportunidade para expandir ideias, abrindo um leque de opções para que possamos atuar na pesquisa”, comentou.

Trilhas – Membro do Conselho Gestor do Parque do Utinga, engenheiro ambiental e especialista em geoprocessamento, Diego Barros apresentou o resultado de um trabalho de mapeamento e atualização das trilhas da UC. “Estão oficialmente mapeadas onze trilhas no Utinga, com pouco mais de 10 km. Hoje apresentei uma atualização com 59 trilhas e 28,5 km. Fomos a locais onde as imagens de satélites não conseguem alcançar. É um mapeamento importante para tomada de decisão na gestão do Parque”, ressaltou.

Além das palestras, os participantes visitaram no Parque o projeto “Reintrodução e Monitoramento das Ararajubas em Unidades de Conservação da RMB – Belém Mais Linda!”, realizado pelo Ideflor-bio, em parceira com a Fundação Lymington, de São Paulo. O seminário promoveu ainda uma ação social, já que os inscritos foram convidados a fazer a doação de kits de higiene entregues à Casa Ronald McDonald Belém, instituição que acolhe crianças e adolescentes com câncer, oriundas do interior do estado, para fazer tratamento na capital.

Serviço – Pesquisadores podem consultar os requisitos e documentação solicitados para a realização de pesquisas nas UCs, acessando o site do Ideflor-bio no https://ideflorbio.pa.gov.br/unidades-de-conservacao/procedimentos-para-solicitacao-de-autorizacao-de-pesquisa/.

Texto: Pryscila Soares – Assessoria de Comunicação do Ideflor-bio

Fotos: Kleber José e Pryscila Soares/Ascom Ideflor-bio

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