Projeto Miyawaki refloresta área alterada no Parque do Utinga

Uma área alterada no Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna ganhou vida nova um ano após receber o plantio de 7.800 mudas de espécies florestais e frutíferas, cultivadas entre janeiro e junho do ano passado. Com plantas de mais de um metro de altura, o reflorestamento do local é fruto da implantação do Sistema Miyawaki, realizado por meio de uma parceria entre o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio) e o Instituto Amigos da Floresta Amazônica (Asflora).

No total, a área foi reflorestada com mudas de 76 espécies florestais e frutíferas. Dentre elas estão a virola, tento amarelo, pupunha, muruci, paxiúba, samaumeira, açaí, andiroba, ipê, breu branco, cacau, entre outras. À época, a ação contou com a importante colaboração da comunidade local, além de secretários de Estado e servidores de vários órgãos estaduais e municipais.

Todos participaram da Hora do Plantio, uma das ações da Semana da Festa Anual das Árvores, evento realizado pelo Ideflor-Bio em fevereiro de 2019. A atividade proporcionou a recomposição florestal da área, envolvendo um trabalho de educação ambiental e o compromisso em proteger o ecossistema e a biodiversidade amazônica, questões intrinsecamente relacionadas à missão institucional do órgão, conforme ressaltou a presidente do Ideflor-Bio, Karla Bengtson.

Participação da comunidade na Hora do Plantio, em fevereiro de 2019.

Parceria

Presidente do Ideflor-Bio, Karla Bengtson destaca os ganhos ambientais e sociais da parceria. “Vivemos momentos muito significativos, pois envolveu a participação da sociedade, das escolas, de servidores, tanto estaduais quanto municipais, fortalecendo eventos como a Semana da Festa Anual das Árvores e a do Meio Ambiente”, disse.

“Ver o crescimento dessa vegetação é algo muito importante para nós enquanto Ideflor-Bio. Traz um sentimento de pertencimento e de resgate de uma área que era alterada e hoje está reflorestada. Somos muito gratos à Asflora e a participação de todos. Fica um presente para a nossa Unidade de Conservação e um marco para as futuras gerações”, ponderou a presidente Karla Bengtson.

Para Ivan Santos, gerente da Região Administrativa de Belém (GRB) do Ideflo-Bio, responsável pela gestão do Parque do Utinga, o resultado positivo em um curto intervalo de tempo, após o plantio, demonstra a excelência da tecnologia utilizada pelo Sistema Miyawaki. “A tecnologia funciona de forma bem aplicada e nós tivemos a felicidade de firmar essa parceria com a Asflora. E nesse momento se cria a perspectiva de replicarmos o projeto dentro das demais Unidades de Conservação da Região Metropolitana, como o Revis Metrópole da Amazônia, a APA da Ilha do Combu e a APA Belém”, pontuou.

Integrante da Asflora, Josiane Mattos explicou que o solo da área escolhida para o plantio era de baixa qualidade, o que inviabilizava desempenhar de forma satisfatória as suas funções, como fornecer nutrientes necessários para o crescimento das plantas, possibilitar a absorção de água e a filtragem de poluentes. Mas, a partir da utilização das técnicas de implantação do sistema, foi possível recuperar e devolver qualidade ao solo.

“Quando chegamos na área nos deparamos com muita água e piçarra. A área tinha perdido completamente a qualidade ambiental. A nossa maior recompensa é essa: voltar ao local e nos depararmos com a floresta montada e os animais já usufruindo de frutos, outros usando como casa. É algo impagável”, ressaltou Josiane.

Projeto – É uma iniciativa da Mitsubishi Corporation, uma companhia japonesa sediada em Tóquio. Conhecido mundialmente, o professor emérito da Universidade Nacional de Yokorama (Japão), Akira Miyawaki desenvolve estudos há 36 anos, em mais de 330 localidades em todo o mundo, para fazer o reflorestamento, recuperando e criando ambientes semelhantes aos das florestas nativas.

O sistema Miyawaki prevê um plantio adensado com 2 a 3 mudas por metro quadrado, com plantio sem definição de espaçamento entre as mudas. O método originou-se da combinação de conceitos acerca do potencial da vegetação natural, no qual o professor teve a oportunidade de estudar na Alemanha e sobre a ideia tradicional japonesa das florestas-santuários.

Parque do Utinga

O Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna é uma das 26 Unidades de Conservação Estaduais geridas pelo Ideflor-Bio, com classificação na categoria de Proteção Integral. A Unidade de Conservação possui dois grandes lados, o Bolonha e o Água Preta – responsáveis pelo abastecimento hídrico de 70% da população residente na Região Metropolitana de Belém.

O Parque foi criado com o objetivo de preservar ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, estimular a realização de pesquisas científicas e, além disso, incentivar o desenvolvimento de atividades de educação ambiental, incluindo o turismo ecológico. Da área de aproximadamente 1.400 hectares, equivalente a 1.400 campos de futebol, 98% fica em Belém e 2% em Ananindeua.

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