Parque Estadual do Utinga celebra memória e legado de Camillo Vianna

O Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna prestou homenagem ao ambientalista que dá nome ao espaço, cuja morte completou um ano na última quinta-feira (10). Ele foi um dos pioneiros na luta pela preservação da Amazônia e seus povos. Na manhã de quinta, amigos e familiares se reuniram no local, onde a história de vida do paraense foi eternizada com o plantio de uma muda de samaumeira (Ceiba pentandra).

Organizada pela Gerência da Região Administrativa de Belém do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado (Ideflor-Bio), a programação emocionou amigos e familiares de Camillo Vianna. Houve a apresentação do Teatro na Floresta, promovido pelo Instituto Amigos da Floresta Amazônica (Asflora), além da exibição de uma entrevista com o ambientalista sobre sua trajetória. Ao final do evento, foram distribuídas aos convidados mudas de espécies nativas do bioma amazônico, como açaí, pau preto, ipês rosa e amarelo.

Na abertura do evento, a diretora de Gestão e Monitoramento de Unidades de Conservação do Ideflor-Bio, Socorro Almeida, lembrou o tempo em que conviveu com Vianna, que construiu significativa trajetória enquanto professor, médico e ambientalista. “Para mim, foi um grande reconhecimento de uma profissão que eu abraço, e posso dizer que sou ambientalista com muito orgulho. Lembro a primeira arvorezinha que plantei junto com o Camillo. Hoje plantamos muito mais, plantamos sementes nas mentes das pessoas para que possamos salvar esse planeta já tão conturbado. Temos muito respeito e somos muito gratos pela pessoa que ele foi”, afirmou.

Guardião – Por onde passou, Camillo Vianna deixou sua marca e exemplo de vida, sobretudo, quando se tratava da defesa do meio ambiente, gerando multiplicadores de seus ideais. Um deles foi seu aluno na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA) e que, anos depois, se tornaria médico do professor. Presente no evento, Jorge Alberto Ohana conheceu Camillo na década de 1970 e fez questão de ressaltar a imensa admiração e gratidão ao eterno mestre.

“O legado de Camillo Vianna é imensurável para toda a região amazônica, na parte ambiental, médica, social e nutricional. Ele foi um homem com uma visão fantástica. Além disso, foi um grande médico e um dos maiores clínicos gerais da região. Ele percebeu a importância do impacto ambiental sobre o homem e disse que era uma briga que ia comprar, até seu último suspiro. Ele nos mostrou a importância do respeito à natureza, da preservação ambiental, da alimentação daquilo que não parecia ser alimento. Foi um homem que procurou formar homens que respeitassem a natureza e a vida”, declarou.

O amor pela natureza é algo que perpassa as gerações da família do ambientalista. Formado em arquitetura, o sobrinho-neto de Camillo, Rodrigo Vianna Rodrigues, também é engajado nas causas ambientais. “Tenho um sentimento de gratidão intenso por fazer parte dessa família, que desde 1960 já tinha um compromisso muito grande com o desenvolvimento sustentável, não só da Amazônia, mas com a geração da consciência do desenvolvimento sustentável no mundo. Enquanto outros países jogavam bombas uns nos outros e faziam guerras, o tio Camillo jogava sementes. Hoje temos inúmeras regiões do Estado que foram reflorestadas com esses bombardeios de sementes”, recordou.

Já a engenheira florestal e pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental Noemi Vianna, sobrinha de Camillo, descreveu o tio como um apaixonado pela vida, pela natureza e pelo ser humano. “A luta dele foi disseminada nos momentos em que ele fazia seminários e quando se comunicava de forma apaixonada pela natureza e, principalmente, pelo ser humano. Essa homenagem significa que ele deixou um legado e que está vivo”, disse.

Reflorestamento – Noemi lembrou ainda que Camillo Vianna foi responsável por criar o trote ecológico na UFPA, ideia que foi replicada em outras instituições de ensino do país, a exemplo da Universidade de São Paulo (USP). Cada calouro era incentivado a plantar e cuidar de uma árvore ao longo de seu curso, no campus Guamá. Recente dissertação de mestrado defendida na instituição atestou que a iniciativa resultou na criação de um novo bosque para a cidade de Belém, com a extensão de 14,8 hectares de cobertura vegetal. Ali foram plantadas espécies amazônicas como andiroba, mogno, paricá e maçaranduba.

“Trinta anos depois, mesmo com tudo que foi derrubado por conta das obras de expansão da UFPA, houve um incremento de 14,8 mil mil metros quadrados, ou seja, um novo bosque em Belém do Pará, que equivale a 14,8 hectares. Existem mais de 100 espécies da floresta amazônica no campus da UFPA, fazendo com que surja uma infinidade de pesquisa para diversos alunos da área, pois foi levado um pedaço da floresta amazônica para dentro da universidade”, destacou.

Texto: Pryscila Margarido – Assessoria de Comunicação do Ideflor-Bio.

Fotos: Kleber José/Ascom Ideflor-Bio

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