IDEFLOR-Bio: Números mostram que é possível conciliar proteção, uso racional e conscientização

Nos últimos dois anos, 1.200 hectares foram plantados ou recuperados a partir da produção de 3.847.237 mudas entregues a produtores rurais

Responsável pela gestão de cerca de 24,6 milhões de hectares, equivalentes a 20% do território paraense – onde estão 26 Unidades de Conservação, sendo 10 de proteção integral e 16 de uso sustentável -, o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (IDEFLOR-Bio) é pioneiro na implantação das concessões florestais. Ao todo, as áreas sob concessão ocupam 483.797,34ha com atividades de manejo sustentável. 

Manejo sustentável – Em 2019 foram produzidos mais de 90 mil metros cúbicos de madeira legal nessas áreas, somando ao Estado R$ 6.500.000 em arrecadação. Em 2020, a produção de madeira certificada foi de quase 120 mil m³, gerando cerca de R$ 10 milhões em arrecadação, a maior desde o início da concessão das áreas.

Nos últimos dois anos, 1.200 hectares foram plantados ou recuperados a partir da produção de 3.847.237 mudas entregues a produtores rurais, beneficiando cerca de mil famílias de pequenos agricultores, e instalados 22 viveiros de mudas em diversos municípios abrangidos pelo PROSAF, projeto voltado à recuperação de áreas alteradas em propriedades familiares rurais. Juntos, eles têm capacidade para a produção de mais de 1,8 milhão de mudas e atendem cerca de 700 agricultores familiares em todas as regiões de integração do Estado.

Em 2020, foi articulada a Força Estadual para o combate ao desmatamento na Região do Xingu e a linha de frente para construção da segunda fase do programa “Amazônia Agora”.

Conservação – Em outra frente de atuação, mais de 580 mil filhotes de tartaruga e sete ararajubas, foram soltos para reintrodução na natureza. O IDEFLOR-Bio também coordenou a elaboração do Plano de Ação para Espécies Ameaçadas de Extinção do Território Xingu, estratégia nacional que envolveu o Ministério do Meio Ambiente, Fundo Brasileiro para Biodiversidade (Funbio) e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF-Brasil), financiado pelo Global Environment Facility (GEF). O PAT Xingu atuará nos municípios de Senador José Porfírio, Vitória do Xingu, Altamira, Brasil Novo, Medicilândia e São Félix do Xingu.

Reconhecimento – Pela primeira vez, técnicos do governo estiveram na Gleba São Benedito, localizada entre os municípios de Jacareacanga e Novo Progresso, participando da expedição técnico-científica que, por decisão judicial, ratificou o território como de direito ao estado do Pará. A Gleba, com quase 336.800 hectares, faz divisa com as cidades de Paranaíta e Alta Floresta, no estado do Mato Grosso, e é declarada Reserva Estadual de Pesca Esportiva.

Foto: Bruno Cecim / Ag.Pará

Cuidados na pandemia – Por conta da pandemia da Covid-19, alguns dos principais espaços públicos geridos pelo IDEFLOR-Bio precisaram ser fechados e só reabriram as portas quando as atividades de visitação foram liberadas, mediante o cumprimento de todos os protocolos de segurança sanitária. No Parque Estadual do Utinga Camillo Vianna, em Belém, a capacidade de visitantes foi reduzida em 50% e as atividades retomadas de forma gradual e monitorada.

As ações do IDEFLOR-Bio reforçaram o combate à disseminação do novo coronavírus nas unidades de conservação, caso dos balneários e das cachoeiras do Parque Estadual da Serra dos Martírios/Andorinhas – PESAM, na região do Araguaia, bastante procurados pelo público nas férias de julho. No auge da pandemia, a equipe da Gerência do Araguaia atuou também na redução do risco alimentar das comunidades tradicionais do PESAM, com a distribuição de cestas básicas.

Reprodução – As Áreas de Proteção Ambiental Paytuna e Marajó e o Refúgio de Vida Silvestre Tabuleiro do Embaubal ganharam, em 2019, mais de 360 mil novas tartarugas amazônicas e tracajás. Em 2020, foram 580 mil nascimentos registrados, muitos com o apoio de projetos desenvolvidos pelas gerências das UCs, que trabalham para evitar a caça e a biopirataria.

As ações de monitoramento nas áreas de reprodução de quelônios foram ampliadas para garantir a perpetuação de espécie como pitiú, tracajá e tartaruga da Amazônia. No Tabuleiro do Embaubal, em Senador José Porfírio, considerada a maior área de desova da tartaruga da Amazônia, a equipe técnica do Ideflor-Bio acompanha o deslocamento das fêmeas desde o município de Porto de Moz, assegurando o máximo de desovas nas praias da região. Como resultado, a produção dobrou, passando dos 360 mil nascimentos em 2019 para 580 mil em 2020. Até meados de janeiro deste ano, a previsão é que esse número chegue a 600 mil espécimes.

Foto: Bruno Cecim / Ag.Pará

Em outra frente de atuação – a de fiscalização – foram apreendidas mais de nove toneladas de peixes de várias espécies durante o período do Defeso, entre os meses de novembro e fevereiro. A pesca comercial foi proibida na Bacia do Rio Tocantins/Gurupi, onde está inserido o Mosaico de Unidades de Conservação Lago de Tucuruí.

Crimes ambientais – Na APA Arquipélago do Marajó, as operações de fiscalização se concentraram principalmente nas áreas da RESEX Marinha de Soure e entorno, reforçadas pela equipe do escritório local do ICMBio em Soure, que tem solicitado apoio em ações de combate a ilícitos ambientais, como a caça predatória do caranguejo e a pesca ilegal durante o defeso, os crimes de uso irregular dos recursos, e no ordenamento do uso das praias (Pesqueiro, Barra Velha, Garrote e Cajuuna).

Biodiversidade – O IDEFLOR-Bio também apoia os municípios na criação de Unidades de Conservação da Natureza, como foi o caso do Parque Natural, do Refúgio de Vida Silvestre e de Área de Proteção Ambiental de Curuçá, no ano de 2019. Em São João de Pirabas foram criadas, com o apoio do Instituto, a Unidade de Conservação da Natureza Municipal, Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Laranjal, Área de Proteção Ambiental dos Miritis, Reserva Extrativista Viriandeua, Reserva Extrativista Bom Intento (Resex) e as Áreas de Relevante Interesse Ecológico (ARIEs) Campo do Sal e das Helicônias.

Comunidades tradicionais – O apoio a comunidades indígenas na recuperação de áreas alteradas pela ação humana foi outra frente de ação dos técnicos do Ideflor-Bio, que implantaram dois viveiros florestais – cada um com capacidade para produzir 9.500 mudas – nas aldeias Cajueiro e Teko-Haw, localizadas na Terra Indígena Alto Rio Guamá, da etnia Tembé, em Paragominas. As áreas serão recompostas com espécies nativas por meios de sistemas agroflorestais. A Terra Indígena Alto Rio Guamá guarda a última grande área de floresta primária do nordeste paraense, sendo refúgio de muitas espécies da flora e da fauna ameaçadas de extinção no Pará. 

Texto: Patricia Madrini – Assessoria de Comunicação/IDEFLOR-Bio

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