O conjunto de atributos ambientais, somado ao potencial ecoturístico e às vivências das comunidades tradicionais do Araguaia, fortaleceu a criação de políticas de proteção na região. Assim se consolidou o Parque Estadual da Serra dos Martírios-Andorinhas, hoje reconhecido como um dos principais patrimônios ambientais e culturais do estado. Sua instituição ampliou o apoio à pesquisa científica, à gestão territorial e às ações de conservação em uma das fronteiras amazônicas mais sensíveis à degradação ambiental.
A partir de 2002, um grande esforço coordenado reuniu grupos multidisciplinares de pesquisadores interessados em aprofundar o conhecimento sobre o Parque e suas áreas adjacentes. Financiado pela então SECTAM — hoje Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) —, o projeto impulsionou levantamentos abrangentes e fomentou iniciativas de educação ambiental, além de fortalecer ações de preservação como o monitoramento de quelônios no Rio Araguaia. A participação comunitária, fundamental desde o início, ampliou o senso de pertencimento e a proteção do território.
O fruto mais simbólico dessa fase inicial foi o lançamento, em 2008, da obra “Parque Martírios-Andorinhas: Conhecimento, História e Preservação”, organizada pelo professor Paulo Gorayeb e editada pela EDUFPA. Resultado de levantamentos realizados entre 1998 e 2002, o livro se tornou referência para gestores públicos, pesquisadores e moradores da região, sistematizando informações valiosas sobre ecossistemas, arqueologia, geologia, hidrologia, espeleologia, biodiversidade e modos de vida das populações ribeirinhas.
Continuidade – Dezessete anos depois, a gestão atual do Ideflor-Bio solicitou a atualização dessa obra fundamental. O pedido, feito em 2024, mobilizou novamente pesquisadores de diferentes áreas, que revisitaram temas antigos, incorporaram novos dados e ampliaram de forma significativa o conteúdo disponível sobre a Serra dos Martírios-Andorinhas. Esse esforço resultou em uma síntese ampliada e contextualizada das transformações ambientais, sociais e científicas ocorridas na última década.
Assim nasceu “A Diversidade da Serra entre Rochas e Rios”, agora com 23 capítulos que incluem análises inéditas, mapas temáticos atualizados e novos estudos sobre o meio físico, ambientes aquáticos, fauna, flora, ecoturismo e arqueologia. A obra também apresenta sínteses atualizadas do plano de gestão do Parque Andorinhas e da APA Araguaia, além de revisões aprofundadas sobre biomas e grupos animais como artrópodes, aranhas, vespas e insetos aquáticos. O resultado é um panorama ambiental robusto, que reafirma o papel da unidade de conservação como referência científica no Pará.
De acordo com o professor doutor, Paulo Gorayeb, “revisitar a Serra dos Martírios-Andorinhas depois de tantos anos foi como reencontrar um velho amigo cheio de novas histórias. Este livro é uma reconstrução coletiva, que atualiza duas décadas de pesquisa e reafirma a importância científica, cultural e humana dessa região extraordinária”, enfatizou.
O livro dedica ainda um capítulo especial às comunidades ribeirinhas do Rio Araguaia, valorizando suas tradições, práticas de pesca, agricultura familiar e vínculos com o território. As narrativas e registros apresentados refletem a contribuição de moradores, voluntários e pesquisadores que, ao longo de mais de duas décadas, participaram ativamente da construção do conhecimento sobre a Serra. Esse conjunto de esforços fez do Parque Martírios-Andorinhas a unidade de conservação mais documentada entre as 29 geridas pelo Estado.
A relevância desse trabalho vai além do registro científico. Ele aponta caminhos para que outras unidades de conservação sigam processos semelhantes de sistematização e atualização de dados, fortalecendo a gestão ambiental do Pará. Como síntese histórica e técnica, o livro reafirma o valor da ciência, da participação social e da proteção ambiental como pilares para o futuro da região.
Serviço: O lançamento do livro “A Diversidade da Serra entre Rochas e Rios – Parque Estadual da Serra dos Martírios-Andorinhas” será realizado, nesta segunda-feira (15), às 16h, no auditório do Ideflor-Bio, na Rua do Utinga, nº 723, no bairro do Curió-Utinga, em. A entrada é é livre, e dispensa credenciamento prévio.